Pular para o conteúdo da página
Brasão da PUC-Rio

Quem é o curador?

Exposição

A pergunta é frequente. No último par de décadas, a assinatura da curadoria parece ser imprescindível. A aplicação do termo se dá nas mas variadas atividades: de festivais de cinema e restaurantes, a lojas de roupa e feiras de produtos orgânicos. A proliferação de curadorias como fenômeno da contemporaneidade pode ter distanciado parte da sua prática de seu propósito original. De guardiões de acervos e tutores na Roma Antiga, a colecionadores e guias em gabinetes, até em exposições de arte no final do século XVIII. Curadores elaboram conceitos, criam associações e narrativas para contar histórias a partir de acervos, mediando relações entre obras, espaços e o público. Também são filtros em um mundo cada vaz mais marcado por excessos.

Esta exposição é parte integrante da pesquisa de doutorado Uma tese no espaço: curadoria entre gestos, formas e mediações, desenvolvida no Programa de Pós Graduação em Design da PUC-Rio. Desde 2024, o estudo analisa manifestações sociais, culturais, artísticas e políticas, além de promover práticas curatorias. Parte dos resultados obtidos no trabalho acadêmico foi registrado no formato de artigos. Embaralhados e superpostos, cada ensaio corresponde a um dos focos do trabalho da curadoria e ocupa uma das salas do Solar Grandjean de Montigny. Correspondem a tônica da exposição e se materializam de forma simbólica em narrativas múltiplas e disruptivas.

O gesto curatorial é onipresente e ganha destaque no formato do game Batalha dos Curadores na Sala de Jogos, onde quatro arquétipos se enfrentam cercados por 30 definições de... quem é o curador. A forma aparece como fruto do cruzamento entre a curadoria, o design e as artes, exemplificada por pranchas de surfe e pelo piano na Sala de Música da exposição. A mediação começa na instalação sonora nas escadas, passa por coprólitos imaginários borgianos e acaba na Sala de Escuta, combinando conhecimentos, uma comunidade e uma coleção de LPs. A curadoria costuma enxergar o que ninguém vê. A varanda está repleta de pontos cegos em exposição e ainda é abrigo de uma Sala de Brinquedos. Basta você ir até lá e (se) jogar.

Mais do que responder a pergunta, esta mostra procura compartilhar vivências e questionamentos com o público, além de lançar reflexões para futuros estudos. Entre centelhas, atritos, conhecimentos e percepções: quem é o curador?

Para a realização da exposição, uma atividade complementar foi oferecida pelo Departamento de Artes e Design a toda comunidade PUC-Rio. Durante quatro meses, a Oficina de Concepção e Montagem de Exposições foi espaço de trocas entre seus colaboradores: estudantes da graduação e da pós de vários departamentos.


Sobre o curador:

André Weller. Curador do Novo Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, Curador de Arte e Cultura do Rio Innovation Week e São Paulo Innovation Week. Assina trabalhos para instituições como MAM RJ, MAR, Museu da Língua Portuguesa e Palácio da Artes MG. É cineasta, membro da Academia Brasileira de Cinema, ABC e ABRACI. Mestre em Design pela PUC Rio, leciona pelo Departamento de Artes e Design onde desenvolve a pesquisa de Doutorado Uma tese no espaço: curadoria entre gestos, formas e mediações.